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E se o seu próximo almoço fosse dentro de uma mina de ametista?

No noroeste do Rio Grande do Sul, túneis de garimpo viraram mesa posta, adega e até igreja de cristais. ⬇️

Imagine descer por um túnel aberto à procura de cristais e encontrar, no fim dele, uma mesa posta para o almoço. Em Ametista do Sul, no noroeste gaúcho, isso faz parte do roteiro. O subsolo que sustentou o garimpo por décadas agora recebe restaurante, adega e visitantes curiosos. Já a igreja matriz atrai gente do mundo inteiro com seu revestimento de ametistas.

Onde dá para almoçar dentro de uma mina?

No Belvedere Mina, o restaurante subterrâneo funciona dentro de uma mina desativada. A prefeitura o descreve como o único restaurante temático em pedras ametista do mundo. O complexo ocupa uma região montanhosa de garimpo e reserva vista panorâmica para a paisagem.

O almoço é só o começo da visita. O Belvedere reúne outras experiências no mesmo endereço, como estas:

- Acompanhamento de perto da extração das ametistas, da mina até a industrialização.

- Passeio pelas galerias subterrâneas, com explicação da técnica de retirada da pedra.

- Detonação ao vivo de explosivos dentro da mina.

- Acomodações aconchegantes, com vista panorâmica cercada de natureza.

Como o garimpo abriu caminho para as galerias de hoje?

O garimpo escavou, década após década, os túneis que hoje recebem visitantes. Segundo a Prefeitura de Ametista do Sul, as primeiras pedras semipreciosas surgiram nos anos 1940, junto às raízes das árvores e nas lavouras. Com o tempo, os poços deram lugar às furnas, túneis com vários quilômetros de extensão.

Essa virada mudou a paisagem e a economia da região. O quadro abaixo resume os marcos dessa história.

Linha do tempo do garimpo em Ametista do Sul

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Anos 1940

As primeiras pedras semipreciosas aparecem junto às raízes das árvores e nas lavouras, e a extração começa em poços.

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Anos 1970

Empresas exportadoras investem no local, e os poços dão lugar a túneis, as furnas, com vários quilômetros.

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1992

O distrito de São Gabriel se emancipa em 20 de março e recebe o nome de Ametista do Sul.

Fonte: Prefeitura Municipal de Ametista do Sul, página História do Município.

Um projeto de lei de 2013, aprovado em 2015, também fez da ametista o mineral símbolo do Rio Grande do Sul. O reconhecimento reforçou o orgulho de uma cidade que cresceu sobre o próprio garimpo.

Turismo no subsolo: a nova vida dos garimpos de ametista - Foto: Leandro Kibisz / Wikimedia Commons

O que a igreja e a vinícola têm de tão único?

A Igreja Matriz São Gabriel é a única do mundo revestida em ametistas. A Vinícola Ametista envelhece seus vinhos em galerias onde antes se extraíam as pedras.

São mais de 40 toneladas de pedras no revestimento, e o altar ainda leva geodos de ametista na decoração. A igreja matriz atrai visitantes de todos os lugares do mundo e resume bem o espírito de uma cidade nascida do garimpo.

Quem visita a vinícola percorre galerias repletas de cristais de ágata e de ametista e encerra o passeio com uma degustação. Lá embaixo, o vinho descansa no escuro e a uma temperatura constante de 17 °C.

A cooperativa Coperametista, pioneira nesse projeto, guarda ali o Cabernet Sauvignon fino. Sua loja temática, junto ao Ametista Parque Museu, permite provar e comprar os produtos.

Conheça a cidade gaúcha com igreja revestida de pedras - Foto: Leandro Kibisz / Wikimedia Commons

O que mais cabe no roteiro de um fim de semana?

Cabe um mergulho no garimpo em atividade, uma visita ao museu e um passeio de trenzinho. Cada parada mostra um lado diferente da ametista, como a lista abaixo detalha.

- Garimpo em atividade: passeio em meio à mata nativa e demonstração da perfuração da rocha e da retirada do geodo.

- Ametista Parque Museu: mais de 1.500 exemplares de minerais e a ametista mais valiosa já extraída em 80 anos de atividade, com 2,5 toneladas.

- Trenzinho das Pedras: passeio pela mata nativa, com mirantes e vista para os garimpos ativos.

A cidade fica a 438 km de Porto Alegre e a 93 km de Chapecó, em Santa Catarina. Isso facilita encaixar a escapada em vários roteiros pela região.

Vale a pena incluir Ametista do Sul no próximo roteiro?

Vale, e muito. A terra da ametista prova que um subsolo escavado por décadas pode render almoço, vinho e histórias sem apagar a memória do garimpo. Entre a igreja de pedras violeta e as galerias que viraram mesa e adega, o município entrega variedade de sobra.

Me conta nos comentários: você começaria o roteiro pelo almoço na mina ou pela igreja de ametistas?