A inteligência artificial (IA) deixou de ser assunto de ficção científica para transformar o dia a dia de quem cria e consome imagens. Essa mudança atinge o mercado em duas pontas bem diferentes: de um lado, provoca crise e reorganização em grandes bancos de dados globais de fotos; de outro, altera a rotina de fotógrafos de eventos, formaturas e escolas no Brasil.Durante décadas, agências de publicidade, jornais e empresas dependiam dos chamados “bancos de imagens” para comprar fotos prontas. No entanto, o avanço rápido das ferramentas de IA generativa (como Midjourney e DALL-E) passou a permitir a criação de imagens personalizadas em poucos segundos e por um custo quase nulo.O impacto financeiro foi imediato. Pressionada pelo avanço da IA e por uma dívida acumulada de aproximadamente US$ 2,1 bilhões, a Getty Images teve que dar entrada em um pedido de recuperação judicial (Chapter 11) nos Estados Unidos para tentar reestruturar suas contas e fechar o seu capital. Antes dessa medida, a empresa chegou a tentar uma fusão de US$ 3,7 bilhões com a rival Shutterstock, mas o negócio foi cancelado após resistências de órgãos reguladores de concorrência. Esse cenário mostra como até empresas bilionárias enfrentam dificuldades para manter modelos de negócios antigos diante da automação.Se no topo do mercado a IA substitui a compra de fotos de estoque, no dia a dia do brasileiro a tecnologia abriu espaço para um novo tipo de pirataria digital: o uso de programas de IA para apagar marcas d’água de provas fotográficas.Tanto na crise financeira dos grandes bancos de imagens internacionais quanto no uso indevido de fotos escolares no Brasil, a inteligência artificial exige novos limites. Economizar é um direito do consumidor, mas burlar o trabalho alheio e violar leis autorais não é o caminho. O mercado do futuro dependerá de ferramentas tecnológicas de proteção, mas também de mais informação e respeito ao trabalho dos profissionais da imagem.✅Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp









