Belo Horizonte — O aposentado Hilário da Silveira, de 67 anos, atropelado durante uma manifestação em apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Centro de Belo Horizonte no último sábado (17/10), terá que passar por uma cirurgia após sofrer três fraturas no tornozelo esquerdo. A previsão é que a recuperação dure cerca de dois meses, com muletas e fisioterapia.Hilário, que é diretor do Sindicato dos Petroleiros (Sindipetro-MG), está internado no Hospital Mater Dei, na região Centro-Sul de BH, para imobilizar o tornozelo. A cirurgia para corrigir as fraturas, com placas e parafusos, deve ocorrer em até 14 dias.Nesta segunda (19/10), a Justiça concedeu liberdade provisória, sem pagamento de fiança, ao motorista de 41 anos Wesley Ribeiro dos Santos, que havia sido preso em flagrante por suspeita de tentativa de homicídio após avançar com o carro. A decisão foi tomada durante audiência de custódia.Lidando com as três fraturas, Hilário afirmou ao Metrópoles que concorda com a decisão de permitir que o motorista responda ao processo em liberdade. Segundo ele, seu advogado pretendia pedir a prisão preventiva, mas o aposentado considerou a medida excessiva neste momento.“Como é um rapaz que tem família, acabei achando que ele deveria responder em liberdade”, disse. “Eu acho que ele tem que pagar, sim, mas uma prisão, principalmente neste primeiro momento, seria um pouco pesada. Depois de um julgamento, posso até concordar. Acho que ele tem o direito de responder em liberdade, mas precisa responder pelos atos dele”, acrescentou a vítima do atropelamento. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Macaé Evaristo (@macaeevaristo)Hilário defendeu a importância das manifestações políticas e criticou a intolerância. “Uma coisa que, inclusive, me leva muito a ir às manifestações, é exatamente para a gente tentar acabar com esse tipo de coisas que acontecem hoje em dia: essa intolerância que entrou no Brasil e no mundo. Mas praticamente no Brasil é bem pior. Hoje as pessoas brigam por qualquer coisa, as pessoas não podem ver uma pessoa de camisa vermelha, não podem ver uma pessoa de camisa amarela”, afirmou.Para ele, as diferenças políticas precisam ser discutidas sem violência.“Eu acho que cada um tem o direito de se expressar e buscar o que considera melhor. Não precisa dessa rivalidade toda. Afinal de contas, a política deve ser discutida entre a direita, a esquerda e o centro, sempre com o objetivo de melhorar as condições de vida do povo brasileiro”, concluiu.RepercussãoO caso foi denunciado por políticos de esquerda, que associaram o atropelamento à intolerância política. Nas redes sociais, uma delas foi deputada Bella Gonçalves afirmou que o motorista era bolsonarista e classificou o episódio como muito grave. Já Macaé Evaristo disse que: ”Nenhuma divergência política justifica a violência”.Como foi o atropelamentoAo Metrópoles, Hilário contou que participa de manifestações políticas desde a campanha das Diretas Já, na década de 1980. No sábado, ele havia participado de um ato em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, antes de seguir para a manifestação das mulheres no Centro da capital.Segundo o aposentado, o grupo caminhava em direção à Praça da Estação, no hipercentro, quando chegou ao cruzamento das ruas Tupinambás e da Bahia. Ele havia parado para esperar um amigo quando percebeu a movimentação de um carro amarelo.“Quando eu verifiquei, o carro amarelo arrancou e atropelou um senhor que conseguiu sair, aí ele acabou atropelando uma senhora, desviou e foi para o meu lado“, relatou.Hilário contou que foi derrubado e teve a perna esquerda atingida por uma das rodas do veículo. “O pneu passou por cima da minha perna esquerda e fraturei o tornozelo em três pontos. O motorista saiu desembestado, subindo a Bahia. Foi embora, fugiu sem nem olhar o que tinha acontecido”, afirmou.Uma médica que participava da manifestação prestou os primeiros socorros e ajudou a imobilizar o tornozelo. Em seguida, o aposentado foi levado por uma ambulância ao Hospital João XXIII.Motorista responderá em liberdadeDe acordo com o boletim de ocorrência (B.O.), motorista fugiu após o atropelamento, mas foi localizado e detido na região da Savassi, na região Centro-Sul.A esposa dele, que estava no veículo com os dois filhos pequenos do casal, apresentou outra versão às autoridades. Em depoimento, afirmou que o carro estava parado no sinal vermelho e que, quando o semáforo abriu, o marido começou a dirigir, desviando de um carrinho de ambulante.Segundo ela, manifestantes passaram a jogar latas de cerveja e garrafas de água contra o veículo, atingindo sua cabeça e barriga. A mulher afirmou que pediu ao marido que acelerasse para proteger as crianças.Na audiência de custódia desta segunda, a Justiça concedeu liberdade provisória ao motorista, sem pagamento de fiança. O juiz considerou que ele não tinha registros anteriores de prisão e que a prisão antes do julgamento deve ser adotada apenas em situações excepcionais.A Justiça também permitiu que o motorista mantivesse a Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Na decisão, o magistrado levou em conta que ele trabalha como manobrista e precisa do documento para exercer a profissão.Apesar da soltura, o condutor terá que cumprir restrições: Ele deverá usar tornozeleira eletrônica por 90 dias e permanecer em casa das 20h às 6h durante a semana. Aos sábados, domingos e feriados, não poderá sair de casa durante todo o dia, também por 90 dias.O motorista ainda está proibido de se aproximar a menos de 500 metros da vítima e deverá passar por acompanhamento da Central de Acompanhamento de Alternativas Penais (Ceapa) por pelo menos três meses, prazo que poderá ser prorrogado por mais três.Recuperação pode levar dois mesesEnquanto aguarda a cirurgia, Hilário passa por procedimentos para imobilizar o tornozelo esquerdo. A previsão é que a operação definitiva seja realizada após a redução do inchaço. “Essa previsão de fazer a cirurgia é entre 7 a 14 dias”, contou.Depois da operação, o aposentado deverá passar cerca de dois meses sem apoiar totalmente o pé no chão, usando muletas para se locomover. Também precisará fazer fisioterapia e exercícios para recuperar a musculatura.“Portanto, eu devo ter aproximadamente mais uns 60 dias aí de tratamento médico, acompanhamento médico até que fique tudo normal”, afirmou.A recuperação também deverá afastá-lo temporariamente das atividades no sindicato, onde costuma participar de reuniões e acompanhar o trabalho da diretoria.A reportagem entrou em contato com o Wesley Ribeiro dos Santos e não teve um retorno até a publicação. A matéria pode ser atualizado caso queira se manifestar.

Motorista avança carro em ato pró-Lula e atropela homem de 67 anos em MG
Motorista avança carro em ato pró-Lula e atropela homem de 67 anos em MG · Imagem: Redes sociais/ Reprodução
Atropelado em ato pró-Lula defende liberdade de motorista: “Tem família”
Atropelado em ato pró-Lula defende liberdade de motorista: “Tem família” · Imagem: Source: www.metropoles.com
Atropelado em ato pró-Lula defende liberdade de motorista: “Tem família”
Atropelado em ato pró-Lula defende liberdade de motorista: “Tem família” · Imagem: Source: www.metropoles.com
Atropelado em ato pró-Lula defende liberdade de motorista: “Tem família”
Atropelado em ato pró-Lula defende liberdade de motorista: “Tem família” · Imagem: Source: www.metropoles.com
Atropelado em ato pró-Lula defende liberdade de motorista: “Tem família”
Atropelado em ato pró-Lula defende liberdade de motorista: “Tem família” · Imagem: Source: www.metropoles.com