Cervejaria Amazonense de Miranda Correa & Cia, também conhecida como Cervejaria Miranda Corrêa, foi uma cervejaria amazonense fundada pela família Miranda Corrêa, marcando história sobre a primeira indústria do Amazonas. Funcionou até ser atingida pelos concorrentes e pelo desenvolvimento da capital amazonense, passando para a propriedade da Brahma em 1972.
Histórico
Fábrica de Gelo Crystal A Fábrica de Gelo Crystal foi fundada em 21 de fevereiro de 1905, por meio da empresa Miranda Corrêa & Cia., com capital de 1.600 contos de réis. A primeira fábrica de gelo no Amazonas possuía capacidade de produzir 50 toneladas de gelo por dia. Com mais investimentos, teve sua capacidade ampliada para 100 toneladas por dia. O local da construção da fábrica escolhido era a orla do Rio Negro, para absorver a água para a fabricação do gelo. O transporte do gelo era feito até a mercearia que ficava na região central da cidade, na Avenida Eduardo Ribeiro, que nesse período, possuía comércios e hotéis luxuosos. Após a abertura da Cervejaria Paraense no início do século XX, o engenheiro Antonino Carlos de Miranda Corrêa propôs aos irmãos a oferta de fundarem uma fábrica em Manaus. Antonio viajou para a Alemanha para estudar o mercado cervejeiro, os produtos para a exportação e o maquinário utilizado na época. Com o comércio intensificado pela economia gomífera no final do século XIX, e o aumento do consumo da cerveja na cidade, a família planejou a construção de uma cervejaria em 1905, buscando expandir a Fábrica de Gelo Crystal. Os irmãos tiveram que lidar com dificuldades políticas, já que as concorrentes de outros Estados não queriam dividir o mercado cervejeiro, principalmente a Cervejaria Paraense, que dificultou as aprovações necessárias para fundar a fábrica em Manaus.
Cervejaria Miranda Corrêa A Cervejaria Miranda Corrêa surgiu a partir de uma fábrica de gelo. Antes da fundação da primeira fábrica de cerveja no Norte do país, a cerveja era importada de outros estados brasileiros e países. Com a atividade extrativista em expansão no final do século, a família Miranda Corrêa foi para Manaus em busca de investimentos que aumentassem seu patrimônio financeiro. A família já possuía certos recursos financeiros, mas buscava investir em empreendimentos que somassem seu capital. Naturais de Belém, Pará, logo instalaram a sua residência no bairro Nossa Senhora Aparecida, na Zona Sul da capital amazonense. As construções iniciaram-se em fevereiro de 1910, já em 12 de outubro de 1912, foi realizada a inauguração oficial da fábrica, marcando história sobre a primeira indústria do Amazonas, por meio do extrativismo econômico da borracha. O projeto da construção foi realizado na França. O primeiro produto da cervejaria se baseava na Escola Alemã, levando como ingredientes água, lúpulo e cevada. Para a criação de variações da cerveja, a indústria adicionou o modo de fabricação das demais escolas, sendo elas a Escola Britânica e Franco-belga. A água utilizada na fabricação era extraída do Rio Negro, por esse motivo o edifício necessitava estar o mais próximo do rio. A extração e o processo de purificação da água eram realizados na própria cervejaria. A purificação da água era considerada na época “de ótima qualidade”, pois não encontrava-se nenhum vestígio de insalubridade. De acordo com a análise de Carlos Chagas, o sabor da água era doce, possuindo um gosto “magnífico”, trazendo uma singularidade para a cerveja. As cervejas engarrafadas possuíam um público na cidade e municípios próximos e, em poucos anos, passaram a fornecer em outros Estados e internacionalmente, transportando para a Europa, por meio de navios a vapor. A fábrica possuía inicialmente quatro rótulos. A mais popular na cidade era a X.P.T.O., mas também ofereciam a Cerveja Amazonense, Cerveja Sublime e a Cereja Yankee, essa última lançada após a Primeira Guerra Mundial. Em 1967, a direção da fábrica passou a J. Macedo, que em 1970 adquiriu o controle da cervejaria, encerrando sua produção, continuando, porém, com a produção de gelo. Dois anos depois foi adquirida pela Brahma. Com a fusão entre Brahma e Antarctica, e a posterior aquisição das instalações pela Heineken em 2010, a fábrica produziu as cervejas Brahma, Bavaria e Kaiser. Em 2017, a antiga fábrica pegou fogo. De acordo com a obra ‘Miranda Corrêa – Histórias e Memórias’, publicado em 1996 pelo historiador Abrahim Baze, a fabricação da cerveja levava como base a cevada e lúpulo. Como matéria prima utilizavam produtos açucarados (para criar-se o teor em álcool), amido (de milho), lúpulo, fermento, ácido carbônico (para criar o gás) e água purificada.
Referências